segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Gosto de Gente!

Gosto de gente que subverte, que vai de frente.
Que não tem medo de ser só um;
Gosto de gente que se desculpa, que reconhece, que não se esquece.
Que silencia, e observa;
Gosto de gente que se encanta, que retrocede, e depois avança;
Gosto de gente que não se abate, que vai ao fundo, que não desiste.

E pega o prumo;
Gosto de gente que se joga. E olha pra trás, e se joga de novo;
Que se arrisca e leva a vida como se fosse morrer um dia.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Vida longa e próspera ao cinema por arte

Acredito que o objetivo não é volume de bilheteria, deste país que notadamente se esforça para seguir em frente com a sua indústria cinematográfica. O amor à sétima arte supera, de longe, os obstáculos enfrentados por cineastas que buscam aprovação e recursos para um novo filme. A consequência da luta desse povo, o Irã, os colocou entre os 12 países que mais produzem cinema em escala internacional.

E foi nestes filmes que eu pude presenciar coisas simples, contudo extremamente bonitas. Destas obras de arte motivadas pela necessidade de expressão, aprendi coisas valiosas dignas de rechear a alma.

Com eles eu aprendi a ousadia. E foi mesmo ousada a atitude de Panahi de documentar sua prisão domiciliar, que sucedeu a sua greve de fome. Ambas motivadas pela tentativa de filmar um roteiro “inadequado”. Mas a sua ousadia não parou por ai. Este documentário saiu de seu país em um pendrive e viajou até Cannes com o nome: Isto não é um filme. Título inusitado pra quem, infelizmente, foi proibido de filmar por 20 anos.

Com eles eu aprendi mais sobre a verdade. E aprendi a conhecer quem eu sou. Em uma cena de Filhos do Paraíso, de Majid Majidi, a filhinha do comerciante está com uma xícara de chá e vai adoçar com um cubinho de açúcar. Açúcar que o pai quebrava pra levar pra a mesquita. Neste momento o pai a impede, dizendo que aquele açúcar não os pertence. Percebi neste momento que quem eu sou se manifesta quando estou sozinha, no momento que posso fazer coisas que ninguém jamais iria saber. E eu preciso gostar de quem eu sou quando estou livre de olhares e julgamentos. Ai reside a minha verdade.

Com eles eu aprendi que a gente arranja um meio. O filme Dez foi filmado com 2 câmeras digitais e o cenário era a vida real que aparecia na janela de um carro em movimento. Sem pirotecnia, e com muito conteúdo, Kiarostami me mostrou que é possível fazer excelente cinema com bons diálogos e bons personagens.

Com eles eu aprendi que é importante questionar, pra poder acreditar. E assim Kiarostami nos dá o prazer de fazer parte das suas obras. Deixa que a gente viva nossas próprias experiências ao longo dos seus filmes. Já tive, com uma amiga escritora, conversas sobre inúmeras possibilidades a respeito do filme Cópia Fiel. E o melhor é que eu posso estar certa, ela pode estar certa, e nós podemos estar erradas. E isso não nos importa. O que valeu foi a troca de pontos de vista que o filme nos proporcionou.

Com eles eu aprendi que a gente tem que deixar ir, deixar ser, pra conhecer verdadeiramente as pessoas. E nestes filmes isso é feito de maneira natural, durante as filmagens. Se o personagem ganha forma, nada mais importa. E o aparato pode nem estar pronto, o diretor pode nem estar pronto, mas o cinema ganha vida, real, e segue. Tudo é documentado, e a vida vira filme.

Por tanto aprendizado, desejo vida longa e próspera ao cinema iraniano.
Esta é a minha homenagem ao diretor que disse que “o relacionamento amoroso é o único campo em que a experiência não conta para nada, você não aprende nada com o tempo”. Sábias palavras do mestre Abbas Kiarostami.

E é também a minha homenagem a cineastas que me ensinaram tantas coisas: Jafar Panahi, Mohsen Makhmalbaf, Samira Makhmalbaf, Majid Majidi, Asghar Farhadi...

Algumas referências:
O Novo Cinema Iraniano [Alessandra Meleiros]



quinta-feira, 30 de maio de 2013

Despedida de Casada



É isso ai! Mais uma experiência vivida e de vida. Eu agora sou divorciada no papel. E no processo todo, algumas reflexões.Seguindo a linha de pensamento de OSHO, me faço hoje a pergunta: casar pra quê? 

CASAR SIM, se casar for união, sentimento, laço (invisível, por favor). E pra isso, não precisa de autorização, assinatura, consentimento, nem fiscalização. Muito menos cartório, nem juiz. 

CASAR NÃO, se casar for assinar um contrato. Desde quando amor precisa de contrato? Desde quando amor é formalizado em papel, com assinatura e testemunhas? Casar tem relação com amor? Amor tem relação com casar? Desde quando? Casar é uma coisa, amar é outra. Ótimo quando as duas coisas andam juntas. 

CASAR NÃO, se casar for algo que anula você para decisões importantes na sua vida. Um exemplo disso: você não usa mais o seu FGTS, a não ser que o seu cônjuge autorize. Faz sentido? 

CASAR NÃO, se casar é ter que vender a alma pra pagar dívidas que você assume no lugar do cônjuge, se ele enlouquecer e sair contraindo todas. A responsabilidade de resolver o problema cai, diretamente e sem piedade, em cima de VOCÊ.

CASAR NÃO, se casamento tiver uma definição no dicionário completamente preconceituosa, quando menciona que é um ato solene de união de pessoas de sexos diferentes. Em protesto, me recuso a compactuar com um enlace limitado a sexos diferentes. Quem quer casar, tem direito de fazê-lo com quem quiser. E tem mais, por que solene? Quem precisa fazer barulho pra casar?

CASAR NÃO, se a união tiver propensão a virar um fardo. Tão comum gente casada porque jurou eternidade, mas que não consegue manter fidelidade. 
Por tantos NÃO, e poucos SIM, resolvi que não vou fazer parte. Não vou compactuar. Mudo minha vida de cabeça pra baixo, vou e volto pra onde eu quiser, mas viver de documento assinado, pra mim, perdeu o sentido.

Do casamento, eu fico com o amor, companheirismo, dedicação, cuidado, e afins. Além do desejo que seja infinito enquanto dure. Mas prefiro levar tudo isso no pensamento. 

O melhor de tudo nesse processo foi ver que é possível se divorciar sem incorporar o clichê VOU-ACABAR-COM-VOCÊ.  Foi-se o casamento, ficou o respeito. Poderia ter sido diferente, bem diferente, como a gente vê nas novelas da vida real. 

E assim, me despeço do contrato de casada.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Não se atreva a desistir


Costumeiramente, não desisto fácil das coisas.
Mas se algo perde o sentido... desisto, fácil!
E o lema “Não desistir” ficou tão forte em mim que explodi.
Não me contentei mais em levar nos pensamentos, nas atitudes.
Precisava de algo mais forte.
Precisava de algo cravado.
Quase três anos de elaboração, e me vi ali, concretizando o meu “Não desistir”.
Na primeira palavra, pensei: E se eu desistir agora?
Perguntei: - O que ele acabou de fazer?
Ele respondeu: - A palavra “desistir”.
Aquilo me fortaleceu.
Não abandonaria um processo inacabado.
A não ser que perdesse o sentido.
Este jamais perderia.
- Vamos em frente!
Não foi fácil, e me marcou de um jeito que não tenho mais como esquecer.
Cravei meu lema na pele com sangue, suor e três parcelas no cartão de crédito.
Agora está aqui, comigo, pra sempre.
Faz parte do que sou.
Antes fazia parte de mim só por dentro.
Agora faz parte de mim por fora também.
É a minha energia positiva cravada na minha pele.
Todos os dias eu vou olhar e jogar de fora pra dentro o que já sentia de dentro pra fora:
Não se atreva a desistir!”

[Frase do filme A Noiva Síria / frase da minha vida desde então]

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

De Saco em Saco de Sal


A esperança dela durou dois sacos de sal. Não se sabe se de um quilo ou de dois, cada um. O certo é que só durou isso: dois sacos de sal.

A incerteza dele induziu a certeza dela. Não haveria mais casamento. Nunca houve, pensou ela, querendo ser destemida. Ele saiu, e ela começou a limpar tudo. Limpou alma e os vãos. Convencida de que valia circular as coisas, providenciou as vendas. Fez bazar, vendeu o enxoval. O que seria uma festa virou um carro novo.

Ficaram, por último, as alianças do noivado-indecisão (ele a deixou com o par). Certamente eram as peças de maior dificuldade de venda. Não de compra, de venda. Seria difícil pra ela o desfazimento. Encorajou-se e enfiou o par num envelope. Saiu de carro com destino a Surubim, interior de Pernambuco. Vendeu o par por duzentos reais. Deu uma risadinha somente por ter feito uma maldadezinha: entregar todo aquele ouro por duzentos. Para ela, o valor não estava em quanto podiam pagar. Ela queria enfim, desvalorizar o momento.

Depois da venda (alianças cimentadas), permitiu-se o silêncio. Silenciou para si e para o mundo. Ele fazia parte do mundo, e recebeu o silêncio dela. E o silêncio a ele fez ausência; e a ausência fez-lhe estima. Agora ela lhe tinha valor. Agora ela lhe era o amor.

Ele Despertou! Correu e comprou rosas. Perfumou-se e declarou (o amor e a intenção). Imperava casar-se com ela. Almejava enxoval e festa, fingindo não viver um “dejá vu”.

Ah, a esperança, essa desgraçada... a fez sair de casa pra comprar mais sacos de sal, quantos quilos fossem necessários.